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Caraíva, distrito de Porto Seguro, é o mais antigo vilarejo do Brasil (1537). A primeira vista, parece um simples pedacinho de terra entre o rio Caraíva e as águas do Oceano Atlântico. Entretanto, o vilarejo é um verdadeiro paraíso ecológico no Sul da Bahia.

Em razão do difícil acesso ao vilarejo e seu distanciamento dos grandes centros comerciais, antigos moradores viviam da atividade pesqueira e da construção de pequenas embarcações cuja matéria prima, a madeira, era abundante nas imediações do vilarejo.

Entretanto, a extração de madeira não teve como única finalidade a construção de barcos. Durante muito tempo, ela foi considerada a principal atividade econômica local. Naquele período, Caraíva abrigou, às margens de seu rio, uma serraria, tocada a vapor, que recebia a sua madeira através de balsas que navegavam pelas suas águas doces. A madeira extraída era serrada e lavrada no vilarejo e depois exportada para Salvador via Porto Seguro.

Enquanto a serraria se manteve em funcionamento, a economia local também contou com culturas de subsistência, a extração de Piaçava e a atividade pesqueira. Sendo que a última demandava outras atividades de apoio como a construção de embarcações, canoas e barcos de pequeno porte (citada anteriormente) e a fabricação de corda de Imbiruçu, que fazia a vez do “Nylon” e de outras cordas sintéticas. A corda de Imbiruçu era usada para tarrafas e redes de pesca, sua produção atendia ao comércio local e também ao do Arraial d`Ajuda e Porto Seguro.


Contudo, a prosperidade da Vila foi comprometida pela destruição da serraria, causada pela explosão de uma caldeira. O acidente resultou no fim daquele que era o maior empregador da região. Sem perspectiva, vários moradores abandonaram a vila (os restos da caldeira ainda podem ser vistos no rio Caraíva durante as marés baixas).

Após um período de pouco desenvolvimento, Caraíva foi redescoberta “pegando carona” na atividade turística de Porto Seguro. A beleza singular do vilarejo encorajava turistas com espírito aventureiro a enfrentar uma longa, para não dizer extenuante, caminhada ou a fazer uma viajem de barco. O conforto dos turistas acabava ficando limitado pelo fato de não haver energia elétrica. A fonte mais comum para se obter energia na localidade era o gerador que, além de caro, era uma opção extremamente barulhenta. Até o final da década de 80 não havia estrada, até o ano de 2007 não havia energia elétrica.

Hoje, a vila recebe turistas de todos os lugares do mundo e é considerada uma das mais belas praias do país. Por ser Patrimônio da Humanidade, o vilarejo tem suas casinhas na beira do rio tombadas pelo IPHAN e suas águas protegidas pela RESEX da ponta de Corumbau. Com isso, mantém suas principais características do passado, bem como a preservação de sua exuberante natureza e biodiversidade.

Atualmente, a Vila já possui estrada. As caminhadas são apenas uma opção para aqueles que desejam conhecer belas paisagens. Porém, a chegada na vila ainda é feita através de canoas e o trânsito de automóveis não é permitido no seu interior. O transporte interno é feito através de carroças e o fornecimento de energia elétrica é todo subterrâneo (o que elimina a presença de postes). Assim, o vilarejo oferece aos seus moradores e visitantes, em pleno século XXI, o grande diferencial de sua natureza virgem, do silêncio e de um céu estrelado inacessível para os moradores dos grandes centros urbanos.

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